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Em cada trilha aberta na mata, em cada dado coletado na madrugada e em cada conversa com as comunidades, existe uma força que tem mudado o rumo da conservação no Amapá: a energia dos jovens pesquisadores.

No Onças do Amapá, essa juventude não aparece só como apoio. Ela é protagonista. São bolsistas locais, estudantes da UNIFAP, jovens quilombolas e ribeirinhos que cresceram ouvindo o som da floresta e conhecem, como poucos, os ritmos que guiam esse território. E é justamente essa mistura de conhecimento acadêmico, saber tradicional e vivência comunitária que aponta para o futuro da conservação na Amazônia.

Formação, pertencimento e ciência que nasce do território

Quando falamos em formação, não é apenas sobre técnica ou metodologia. É sobre criar caminhos. Significa garantir que jovens amapaenses — quilombolas, ribeirinhos, estudantes da universidade pública e moradores das comunidades — tenham acesso a oportunidades reais dentro da própria Amazônia.

Jovens

Eles aprendem a conduzir pesquisas, mas também se reconhecem como parte fundamental do processo. A vivência comunitária, o conhecimento passado entre gerações e o vínculo afetivo com a floresta fazem com que a conservação tenha raízes mais fortes. Pertencimento, aqui, vira método. Vira força de cuidado. Vira ciência feita por quem vive o território e deseja mantê-lo vivo.

Ao unir formação e pertencimento, os jovens pesquisadores ampliam seus horizontes e fortalecem suas comunidades, mostrando que a ciência deve florescer nas mãos de quem cresceu escutando a floresta.

O Quilombo do Cunani: território que ensina

No coração do norte do Amapá, no município de Calçoene, está a Comunidade Remanescente de Quilombo do Cunani — um território tradicional com cerca de 38 famílias distribuídas em mais de 36 mil hectares, reconhecido oficialmente desde 2005 pela Fundação Cultural Palmares. 

É nesse território ancestral que parte das nossas expedições acontece, onde registramos muitas das imagens deste trabalho e onde a pesquisa ganha raízes profundas. No Cunani, cada trilha é memória, cada orientação é história viva, e o apoio da comunidade transforma o trabalho de campo em um aprendizado que conecta ciência, cultura e pertencimento.

E é justamente no encontro com essa história que se destaca a força dos jovens quilombolas do Cunani. Eles caminham ao lado da equipe, ajudam nas coletas, identificam pistas da fauna e compartilham percepções que só quem cresceu nesse território consegue traduzir. Ao se verem como parte do processo científico, esses jovens assumem um protagonismo que aponta para o futuro da conservação no Amapá: um futuro em que tradição e ciência caminham juntas, guiadas por quem pertence ao território e deseja mantê-lo vivo.

O protagonismo dos jovens na conservação

Quando um jovem se vê como pesquisador, todo o futuro se rearranja. Surge a sensação de possibilidade, de caminho aberto, de perspectiva. A ciência deixa de ser algo distante e se transforma em horizonte.

É por isso que, no Onças do Amapá, o protagonismo da juventude é essencial. Cada jovem que participa de uma expedição, coleta dados na mata, auxilia no monitoramento ou se envolve com as etapas do projeto está criando referências para a próxima geração e mostrando que o conhecimento pode ser um instrumento de fortalecimento local.

Cada jovem pesquisador que emerge desse território leva consigo mais do que técnicas de campo: leva segurança, autonomia e novas oportunidades. Eles inspiram irmãos, vizinhos, colegas da escola ou faculdade. Provam que a ciência é um caminho possível para quem nasce na Amazônia e, mais do que isso, um caminho que mantém a floresta viva.

No Projeto, acreditamos que o futuro da conservação passa por essas mãos jovens, curiosas e profundamente conectadas ao território. É esse encontro entre juventude, conhecimento e pertencimento que transforma a proteção da biodiversidade em um movimento realmente sustentável e verdadeiramente amazônico.